Como pensar na melhor arquitetura para sua instituição

Sempre costumo pensar que a arquitetura é o conjunto da composição dos espaços nos quais habitamos, somadas as sensações que estes nos remetem. Durante a história da humanidade, nós moldamos esses espaços e eles também nos moldam. Nossos hábitos se desenvolveram por meio de sua configuração e nós também os adaptamos conforme nossa evolução.

Por esta razão, podemos afirmar que a arquitetura está intimamente conectada às nossas memórias afetivas. Lembranças memoráveis sempre surgem em um cenário específico, certo? Isto porque, segundo Kohlsdorf (1993), a apreensão da forma dos espaços, liga-se, indissociavelmente, à produção e a sua utilização, sendo capaz de satisfazer as expectativas sociais dos usuários ao longo do tempo. 

Logo, se a forma dos lugares configura e é configurada pelas interações humanas, pelas práticas sociais e isso confere historicidade aos espaços, como fazer dessa arquitetura, repleta por essa trama de redes físicas e sociais, atenda às expectativas de seus usuários?

No caso dos idosos, que já vivenciaram tantos espaços e sensações e seus olhos já alcançaram tantos horizontes, como fazê-los sentir-se que pertencem ao local no qual habitam?  Ora, se a arquitetura é capaz de proporcionar sensações e evocar emoções, nada mais prático que utilizar de subterfúgios susceptíveis ao longo da sua instituição. 

Utilizar de cores nos corredores, por exemplo,  um tom específico, associado a uma altura da pintura, que proporcione um direcionamento para o espaço externo da instituição, causa a sensação de curiosidade. Pintura de meia parede, por exemplo, evoca sensação de domínio, de uma “passagem estreita” que convida e enche de expectativa para o espaço externo, que pode estar repleto de vegetação e espaços lúdicos ao ar livre. 

Revestir uma parede com azulejos florais, como é comum de ser visto na casa de nossos avós, também trará a sensação de intimidade com o espaço no qual o idoso se encontra. Posicionar objetos nos espaços de convivência, que remetam à historicidade desses usuários, também imprimirá a legibilidade que, de acordo com Lynch (1960), se refere aos aspectos visuais que estrutura e identificam o ambiente, oferecendo segurança e uma experiência mais intensa, ou seja, uma habilidade vital para a vivência e apropriação humana do espaço configurado. 

Pensando em construir ou reformar sua instituição? Opte por um layout prático e adequado à rotina e aos protocolos que devem ser seguidos, além de soluções construtivas que auxiliem no aspecto clínico e sanitário. A entrada, por exemplo, deve ter um vestuário de apoio como o primeiro protocolo a ser seguido por seus colaboradores, que devem trocar-se, higienizar-se, para então seguir sua rotina. O recebimento de insumos deve ser separado da área de circulação e convivência dos idosos, pois devem ser, igualmente, higienizados. 

Falando em higiene, assunto primordial nas instituições, especialmente em tempos de quarentena, busque revestimento de pisos sem rejunte ou fugas – há diversas opções de pisos em manta, também emborrachados, que oferecem sensação de conforto.

Projete espaços com cantos arredondados, pois diminuem, por exemplo, cantos de acúmulo de bactérias. Instale corrimãos acoplados aos corredores ou banheiros, não se esqueça dos padrões de ergonomia e acessibilidade – lembre-se que o corpo humano diminui conforme envelhece. 

As quinas de móveis também devem ser arredondados, os pisos antiderrapantes, as portas de vidro devem ter adesivos visíveis, por questão de segurança de todos os usuários, sejam eles colaboradores ou residentes.  

Os estofados devem estar impermeabilizados, as pinturas não devem conter agentes tóxicos, o forro dos espaços de lazer passivo podem ser mais baixos, para imprimir sensação de aconchego e a iluminação não precisa ser fria como nos espaços clínicos. 

Enfim, o espaço arquitetônico pode estar sempre em transformação e permitir uma gama de possibilidades muito diversificadas, mas as sensações de segurança e conforto devem ser sempre praticadas. 

Priscilla Gastaldi

Arquiteta e Urbanista

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